Arquivo da categoria: To think About

Em Defesa de um Cabelo – Parte I

Indo direto ao cerne da questão: o que um novelista pretende, dadas as tendências sensacionalistas das telenovelas brasileiras (aka globais), ao convidar uma jovem de longos e divinos cabelos naturalmente ruivos para dar vida a uma personagem que terá câncer? Estarrecer é a única palavra que me vem à mente.

Há algumas semanas, um dos debates mais fervorosos da mídia era se a atriz Marina Ruy Barbosa, de 18 anos, iria ou não se desfazer de seu lindo cabelo em nome de sua personagem em “Amor à Vida”. Eu, que adorava a novela até o capítulo 10, ainda traumatizada com a cena dantesca de “Laços de Família”, parei de assistir. Não tenho estômago para essas palhaçadas. E explico porque chamo de palhaçada: Na vida real, quantas são as mulheres com câncer que se expõe sem cabelo com cabeça descoberta? A maioria das que não fica tão debilitada provavelmente usará perucas ou lenços, a depender de possibilidades e preferências. Logo, o mais realista seria se fizessem o mesmo que foi feito em “Ti Ti Ti” (2010) com a personagem da atriz Giulia Gam. Em tratamento contra câncer de mama, passou parte da novela aparecendo de lenço.

Felizmente, o autor, supostamente devido aos apelos do público, desistiu da ideia. Ainda assim, são muitas as perguntas que passeiam por essa minha mente inquieta. Por que nunca o personagem com câncer é do estereótipo homem-gordo-meia-idade-meio-calvo? Por que essa necessidade de SEMPRE apelar para jovens do sexo feminino nesses papéis (lembremos que na vida real feios  bonitos são acometidos por doenças)? Por que sempe querer mostrar o corte de cabelo? O que faz com que isso seja medida de competência desta ou daquela atriz?

Enfim, tenho muuito a escrever a fim de demonstrar minhas ideias quanto a tudo isso, de modo que aqui se inicia uma série de posts. Nesta, continuarei a argumetar, SEMPRE, em defesados cabelos…

xoxo

Thaís Gualberto

PS: Não deixem de comentar minhas unhas no “Totalmente Exagerada” da minha querida Simone!

Anúncios

Barbie: The Dreamhouse Experience – Ame ou Odeie, mas respeite!

Uma das coisas que definitivamente mais marcou a minha infância foi brincar de boneca. Como grande parte da geração 90, minhas favoritas sempre foram as Barbies. Podia passar horas e mais horas por dia enfeitando seus cabelos, criando histórias, mudando as roupas e até mesmo fazendo as roupas (sempre aproveitei cada retalho que aparecia para aumentar o acervo das minhas bonecas). A propósito, aos 21 anos, ainda amo Barbies, principalmente as de cabelo escuro, só não as compro mais ou brinco com as que tenho… :p

Recentemente, precisamente em 16/05, foi inaugurada a primeira casa da Barbie em tamanho real na Europa (já existia uma na Florida), The Dreamhouse Experience, a qual oferece as mais diversas formas de entretenimento para garotas, como brincar com Barbies, videos, cuidar dos “animais” de estimação da Barbie, exposições de Barbies, closet “sem fim” etc… Um mundo de muuuuuuuuuuuita diversão para a maioria das meninas e até mesmo para mim, que já passei umn pouco da idade… rs (exceto pelo excesso de rosa, que faz minhas vistas arderem um pouco, embora eu ame rosa). E sim, adoraria estar aí e espero que no dia que eu tiver filhas ainda existam casas da Barbie como essa para visitar! *-*

14-casa-da-barbie

Filha empolgada, mãe nem tanto… rs

6-casa-da-barbie

Como eu ia amar isso… *-*

3-casa-da-barbie

Mais um momento que eu invejo… *-*

Como tudo não é só alegria, obviamente houve quem quisesse acabar com a inauguração. Respeito com todas as forças da minha alma qualquer mulher ou criança do sexo feminino que não goste da Barbie, mesmo que odeie a Barbie – temos o direito de divergir e é maravilhoso que não pensemos igual. Dentro do que considero racional, entretanto, não cabe um grupo de mulheres enlouquecidas e semi nuas ateando fogo em uma Barbie presa a um crucifixo no local onde está instalada a Casa da Barbie. Tudo bem que considerem a Barbie machista (recuso-me a usar o termo cunhado pela militância, até porque sou feminina, não feminista, logo, na visão destas, sou machista), tudo bem que tenham ogeriza ao encanto que tais bonecas provocam em milhões de garotinhas, porém isso não dá o direito a nenhuma dessa criaturas de acabar com a festa de outros. Querida, você odeia a Barbie, mas há quem goste, portanto, respeite em vez de tumultuar! Vocês acusam a sociedade de impor um padrão, mas vocês também o fazem ao querer impor que todos compartilhem do seu pensamento! Vocês são muito mais intolerantes do que quem vocês acusam de sê-lo.

femen-barbie

what the hell??? –‘

000_dv1476319

Uma coisa posso dizer por experiência própria: brinquei de Barbie mais do que com qualquer outra coisa, sobretudo as loiras e não quis ser loira ainda, não tenho silicone, não tenho plástica nenhuma, não sou alienada, sou feminina sim, sou vaidosa sim e o que a Barbie tem a ver com isso? NADA! O dito “padrão irreal de beleza imposto pela sociedade” não é imposto pela sociedade ou por uma boneca, mas sim pelos próprios indivíduos, que na média são ávidos por se sentirem parte de um grupo independentemente do que tenham de se prestar a fazer para ser parte dele… E isso depende de cada um, pois temos livre arbítrio e, na maior parte do mundo ocidental, ao menos por enquanto, liberdade de expressão…

Minha mãe diria que é “falta de tanque“… hahahahaha Eu já diria que é simples falta do que fazer e necessidade de aparecer… Enfim…

Viva a Barbie!!! Viva a casa da Barbie!! *——————–*

Beijos e até a próxima!

Thaís Gualberto

Fontes consultadas:

Portal Terra, Portal G1, Correio Braziliense

A Vida da Gente

Não foi preciso muito mais que cinco minutos para que eu me desse conta de que esta seria uma grande novela. Na verdade não foi preciso muito mais que algumas propagandas, que algumas imagens. Em uma época em que quase todas as emissoras apelam para vulgares reality shows, por que razão iria eu imaginar uma história como a de “A Vida da Gente” sendo produzida e transmitida pela Rede Globo?

Desde o primeiro instante a proposta cativou-me. Uma história sobre mães, sobre irmãs, sobre filhas, sobre famílias. Uma história na qual o amor era a palavra subentendida em cada frase, em cada olhar, em cada sutil gesto. A jovem tenista de promissora carreira que se descobre apaixonado pelo filho do padrasto justo no momento em que seus pais se divorciam e convertem-se em inimigos praticamente mortais e o posterior e aparentemente irreversível estado de coma da protagonista. Um melodrama simples e clássico, porém original e extremamente bem elaborado. O tipo de enredo que me encanta, mas, em geral, encontro apenas nas produções hispânicas, muito mais comprometidas com discutir as questões da família e dos valores que as brasileiras.

A possessividade de Eva (Ana Beatriz Nogueira); as obsessões de Vitória (Gisele Fróes); o núcleo dos idosos e seus animadíssimos bailes; o desapego de Jonas (Paulo Betti) em relação aos filhos; o encontro de Alice (Sthefany Britto) com seu pai biológico; a imaturidade de Nanda (Maria Eduarda); as inseguranças de Lourenço (Leonardo Medeiros); os conselhos maternais de Iná (Nicette Bruno); o amor de Ana (Fernanda Vasconcelos) e Rodrigo (Rafael Cardoso), o amor de Manuela (Marjorie Estiano) e Rodrigo; o amor de Ana e Lúcio (Thiago Lacerda *-*); o amor de todos pela pequena Júlia, em torno de quem se desenrolava a trama. Entre tantos conflitos, é até difícil destacar melhores momentos, cenas inesquecíveis.

"How can I do to make it right?"

Decerto o instante em que Rodrigo declara-se a Manuela é uma cena que jamais esquecerei (inclusive associei-o à música “How Did I Fall in Love with You”, dos Backstreet Boys), tal como a sucessão de cenas que narrou-nos a progressiva recuperação de Ana até o instante em que ela começou a falar bem e a locomover-se com muletas ou como o momento final, no qual Ana e Rodrigo trocaram cartas reconhecendo que a paixão adolescente não era o que realmente os completava (Assistir a cena aqui!) . Isso para não citar a cena de amor no rio, ainda no primeiro capítulo da trama. Todas cenas que me tocaram profundamente e nitidamente comoveram-me, levando-me às lágrimas.

Obviamente, não gostei de tudo. O fim do casamento de Manu e Rodrigo deixou-me arrasada; ficava mal quando Iná e Laudelino (Stenio Garcia) brigavam, odiei cada uma das vezes em que Ana terminou com Lúcio pela paixão que eu considerava um mero capricho, uma simples inconsequência de quem parou no tempo e não percebeu que a adolescência já havia terminado. Aliás, no último mês e meio da novela, Ana parecia-me quase tão intragável quanto a insuportabilíssima Eva (que também me fez rir muito com suas psicoses e histerias). Aliás para quem acha que a novela foi perda de tempo “porque Ana não ficou com seu amor verdadeiro que era o Rodrigo”, talvez seja hora de analisar mais racionalmente os fatos… A maior lição dessa novela é que o amor construído vale muito mais que a paixão fulminante, que é passageira e dilacera os espíritos, pois é o amor construído que dá segurança. E Ana construiu amor com Lúcio, tal como Rodrigo realmente amava Manuela. E para os que pensam que Manuela foi uma “traíra”, independentemente do coma de Ana, as vidas ao redor tinham de seguir… Inclusive para o bem de Ana, sobretudo pelo bem de Júlia, que aliás, sempre foi instruída por Rodrigo e Manuela a também ver Ana como mãe. Além disso, as pessoas não mudam do dia para noite, mas sim conforme sucedem-se situações adversas ou positivas na vida, as pessoas indecisas, as pessoas temem, têm defeitos e cometem erros.

Enfim, que belíssima história! Os méritos de “A Vida da Gente” foram muitos. Uma direção impecável de Jayme Monjardim, na qual a sensibilidade dos personagens e expectadores era levada ao máximo. O texto emocional, cuidadoso e apaixonante da autora estreante em novela Lícia Manzo. A importância atribuída aos valores, à família, ao amor verdadeiros, às amizades sinceras, às emoções. Não apelou ao grotesco, à fútil exibição de corpos, à linguagem vulgar , à banalização do sexo, à violência. Apresentou-nos (e presenteou-nos) com lindas imagens do Sul do Brasil, em vez de ceder ao habitual eixo Rio-São Paulo. Foi sutil ao abordar temas delicados. Tratou a vida simplesmente como ela é: com indas, vindas, amores, desentendimentos, reconciliações, reflexões, impulsos. Emocionou-me e tocou-me como não acontecia desde que assisti a mexicana “La Madrastra” (o drama maternal mais intenso e apaixonante de todos os tempos).

“A Vida da Gente” sim foi uma boa novela, um exemplo a ser seguido pelos demais autores. A melhor novela brasileira que já vi, uma novela quase tão especial para mim como a insuperável LM (citada acima). Vai deixar saudades… Muitíssimas saudades… (sobretudo do Thiago Lacerda, pelo menos enquanto ele não integrar o elenco de outra novela *-*). Texto impecável, direção divina e elenco fantástico.

E que venham outras histórias como essa, que valorizou o que há de mais importante: a FAMÍLIA.

Uma visão nerd da educação

Minha colaboração para uma postagem coletiva, minha primeira desse tipo!! Agradeço ao blog Uma Pandora e sua Caixa pelo convite!!

Eu sempre fui tida como nerd do tipo que tem boas notas. Não uma nerd típica de óculos e aparelho fixo (aka Yo Soy Betty, La Fea), mas usei aparelho fixo por um tempo e, bem sou vaidosa demais para ser uma típica nerd… Mas, bem, como nerd que sou, tenho uma visão beeem peculiar a respeito de como deveria ser o ensino. O sistema em si, o regulado pelo MEC, esses vocês podem ler algumas de minhas opiniões no semi-abandonado Política de Saltos. Quanto a como (eu penso que) as escolas deveriam ser, aqui vai…

Colégio não deveria ter recuperação. Um aluno que teve apenas notas ruins ao longo de um ano não merece uma chance de ser aprovado por melhor que seja seu comportamento, por maior que seja seu carisma. Colégio não existe para aprovar quem é gente boa, mas sim para formar pessoas competentes. O que uma prova com, digamos, uma questão sobre cada tópico estudado da matéria prova que a pessoa aprendeu? Quem não aprendeu em 12 meses, decerto não aprenderá em 1 ou 2 semanas.

Eu sei que me acham exagerada, mas o aluno “empurrado” atrapalha. Atrapalha porque não tem a base requerida para estar na série seguinte. E aí já fica evidente que sou completamente contrária ao sistema de aprovação automática na rede pública de ensino. Como se não bastasse a pífia qualidade deste, ainda deixam um aluno semi-analfabeto chegar ao nono ano do fundamental em apenas 9 anos? É demais para mim… Mas bem, em colégios particulares não fica muito diferente… Eu mesma estudei em uma turma que era considerada, em todos os aspectos, a pior do colégio… De 42 alunos, 37 ficaram “pendurados” em Química. Uns 20 e tantos, pelos menos, estavam pendurados em mais de 3 de 11 matérias. E o que aconteceu? TODOS foram aprovados! TODOS! Absurdo? Claro que não… Decisão de conselho de classe!

E daí haveria quem me dissesse ” Ah, mas você não pode querer que todos sejam como você, que tenham tanto empenho para estudar…” Não quero, tampouco espero que sejam como eu, maaas… Escola é responsabilidade, um compromisso que deve ser levado a sério, logo o mínimo que devemos fazer é estudar. “Ah, é muita maldade reprovar o fulaninho porque ele reprovou uma matéria”, não, também não faz sentido. Na faculdade repete-se por matéria e confesso que isso sim considero inteligente, mas sempre vão dizer que um adolescente/criança não terá maturidade para fazer umas matéria em uma série e outras em outra. E bem, até certa fase, é fato. O caso é: se o fulaninho tinha dificuldade em Matemática, deveria ter estudado mais Matemática que as demais, diminuído o tempo de lazer para tentar aprender, procurar as causas do problema.

Também tenho minhas reclamações sobre o 3º ano. Aulas todos os dias em duplo período são descabidas e desumanos. Se as escolas perdessem menos tempo explicando 15 vezes o mesmo tempo, poderíamos ter um 3º ano apenas de revisão e sem milhões de aulas. Aliás, qual a necessidade dos simulados? Se eu quero empenhar-me no vestibular é um problema meu, eu que procure e tente fazer as provas em casa! Eu fiz TODOS os ENEM, TODAS as provas da UERJ qualificação de 2003-2009, TODAS as primeiras fases da UFF de 2001-2009. Eu que aprenda a controlar meu tempo de prova!  A propósito, o que eu tenho de fazer na aula de Física se vou prestar vestibular para Economia? Pior: por que deixar os alunos em pânico com simulados quando o ENEM exige um nível de conhecimento pífio, muito aquém do ensino médio e mais aquém ainda do necessário para provar se um aluno está ou não apto a ir para a universidade? Pior: incutem-nos que as Federais são melhores em todas as áreas, o que não é verdade se considerarmos que as melhores faculdades de Economia do país são a FGV-RJ e a Ibmec-RJ e que a melhor em Administração é a FGV-SP, já que as públicas tendem a adotar Karl Marx como o único que viu corretamente o mundo…

Ah, não adianta reclamar SÓ da qualidade do ensino quando grande parte dos alunos não faz por onde…  Mais que isso, revejamos os métodos… Isso de alunos estudarem até sábados e domingos com o intuito de passarem no vestibular é loucura! Sem um mínimo tempo semanal para aquilo que nos dá prazer, somos facilmente aniquilados!

Acho que vou encerrar por aqui porque já devem estar querendo mandar uma nerd para a fogueira… Isso sem falar no quão enorme seria o post se eu fosse expor tudo o que penso sobre a educação…

xoxo

@thais_gualberto

Irena Sendler

Há cerca de 3 anos por meio de um e-mail de uma amiga, tomei conhecimento de uma das mais sensacionais biografias com que já tive contato. Irena Sendler, o anjo do gueto da Varsóvia. Hoje, compartilho um pouco dela, que foi tema de um trabalho que fiz sobre heróis, no 2º ano do Ensino Médio.

Heroína desconhecida fora da Polônia e apenas reconhecida no seu país por poucos historiadores devido ao obscurantismo comunista que havia apagado sua façanha dos livros de história oficiais, Irena nunca contou a ninguém sobre sua vida durante aqueles anos. Em 1999 sua história começou a ser conhecida graças a um grupo de alunos de Kansas através de um trabalho de conclusão de curso sobre os Heróis do Holocausto. Na pesquisa encontraram poucas referências sobre Irena com um dado surpreendente: 2.500 vidas foram salvas por ela. Como era possível não existir informação sobre uma pessoa assim? Mas a maior surpresa viria depois. Ao investigarem o local do túmulo de Irena descobriram que nunca existiu porque ela estava viva. Aos 97 anos residia em um asilo em Varsóvia num quarto cercado de flores e cartões de agradecimento de sobreviventes e filhos destes em sua honra.

Irena Sendler em 2005


Quando a Alemanha invadiu o pais em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, onde cuidava das refeições comunitárias. Desde o outono de 1940, Irena Sendler assumiu riscos consideráveis para levar alimentos, roupas e remédios aos habitantes do gueto que os ocupantes nazistas instalaram num quarteirão da capital. Em 4 km2, eles colocaram 500.000 pessoas. Ao assistí-los no Gueto de Varsóvia Irena, horrorizada pelas condições de vida impostas a seus moradores. Devido à falta de comida, muitos morreram de fome ou em decorrência de doenças. Os outros foram mandados para as câmaras de gás do campo de Treblinka. No fim do verão de 1942, ela resolveu unir-se ao movimento de resistência Zegota (Conselho de Ajuda aos Judeus) criado por um grupo de resistência heróica antes de o exército nazista destruir completamente o quarteirão.

Como os alemães receavam uma epidemia de tifus aceitavam a ajuda dos poloneses para controlar a situação e os deixavam tomar conta do local. Irena fazia contato com as famílias oferecendo ajuda para levar filhos e netos com ela para fora do Gueto. Era um dos momento mais dolorosos de sua experiência; deveria obter a confiança dos pais e convencê-los a entregar-lhe seus filhos. Era indagada: “Pode prometer que meu filho viverá?…..” E a única coisa que poderia dar como certa é a de que morreriam se permanecessem ali. O mais duro era o momento da separação.

Começou a tiráa-los em ambulâncias como vítimas de tifus, e se valia de todos os meios e de tudo o que estivesse ao seu alcance para escondê-los e tira-los dali: cestas de lixo, sacos de batatas, malas, etc. Em suas mãos, qualquer coisa se transformava numa via de escape. Conseguiu recrutar ao menos uma pessoa de cada um dos dez centros do Departamento de Bem-estar Social. Com a ajuda dessas pessoas elaborou centros de documentos falsos, com assinaturas falsificadas, dando identidade temporária às crianças judias. Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos da paz. Era incansável. Queria que um dia pudessem recuperar seus verdadeiros nomes, sua identidade, suas histórias pessoais e suas famílias. Foi quando inventou um arquivo que registrava os nomes dos meninos com suas novas identidades. Anotava os dados em pedaços de papel que enterrava, dentro de potes de conserva, debaixo de uma maciera, no jardim do seu vizinho.

Algumas vezes quando Irena e suas companheiras retornavam a estas famílias a fim de persuadi-las era informada que todos haviam sido foram levados aos campos de extermínio. Cada vez que isso ocorria, ela lutava com mais força para salvá-las.Quando caminhava pelas ruas do gueto, Sendler usava uma braçadeira com a Estrela de David, em solidariedade aos judeus, e afim de não chamar a atenção.

Um dia os nazistas acabaram descobrindo suas atividades e a levaram à prisão. Quebraram-lhe os pés e as pernas, além de inúmeras torturas. Queriam que delatasse quem eram seus colaboradores e os nomes das crianças que ajudara a salvar. Por não revelar absolutamente nada, em total silêncio, foi sentenciada a morte.

Irena era a única pessoa que sabia os nomes e onde se encontravam as famílias que abrigaram as crianças judias. A caminho de sua execução, o soldado que a levava a deixou escapar. Embora oficialmente ela constasse nas listas dos executados, a resistência havia subornado o soldado salvando a vida de Irena. Ela mesma desenterraria os vidros com as anotações e tentaria unir os 2500 meninos que colocou com famílias adotivas devolvendo-os a suas verdadeiras famílias. Infelizmente, a maioria tinha perdido seus pais e irmãos nos campos de concentração nazista.

O pai de Irena, um médico que falecera de tifus quando ainda pequena, lhe fez memorizar o seguinte: “Ajude sempre a quem estiver se afogando, sem levar em conta a sua religião ou nacionalidade. Ajudar cada dia alguém tem de ser uma necessidade que saia do coração.”

Os meninos só a conheciam pelo apelido: Jolanta. Anos mais tarde, quando a sua história saiu num jornal com sua foto antiga, diversas pessoas entraram em contato: “Lembro de seu rosto… sou um daqueles meninos, lhe devo a minha vida, meu futuro, e gostaria de vê-la!” Irena viveu anos numa cadeira de rodas pelas lesões e torturas impostas pela Gestapo. Em maio de 2008, aos 98 anos, faleceu.

Funeral de Irena Sendler, 2008


Não se considerava uma heroína e jamais reivindicou crédito por suas ações: “Poderia ter feito mais” e completa: “Este lamento me acompanhará até o dia de minha morte!”

Se Irena não foi uma legítima heroína ao salvar tantas vidas, quem pode ser considerado como tal?

Deixo-lhes com a belíssima canção “Nei Giardini Che Nessuno Sa”, com tradução aqui, na voz de Laura Pausini. Reflitam sobre ela, vale à pena.


xoxo

@thaisdramaqueen

Parte do texto extraída de pt.chabad.org

Stop crying your heart out

É muito fácil botar tudo a perder. Um pouco de distração, de excesso de confiança e lá se vai o que a princípio parecia tão sólido, certo de acontecer. E como é difícil lidar com isso! O ego não suporta; o alter ego desvanece. Litros de lágrimas são derramados, soluços, gritos abafados de ódio para consigo próprio. Não há derrota pior do que perder para si próprio.

E digo isso porque o resultado alheio é algo que ignoro completamente. Bom ou ruim, não me pertence. Eu quero ser a melhor, mas a melhor em relação a mim e ver, por tão pouco, destruída essa possibilidade, é aterrador.

Buscar culpados para algo que apenas cabe a nós mesmos é impossível e apenas torna tudo mais difícil. Buscar culpa é o que nos resta. Culpar algo, circunstâncias; não pessoas. Muitas semanas sem qualquer descanso? Excesso de atividades, de criatividade, de avaliações, de cobrança? Necessidade de qualquer vã abstração? Talvez. Motivo para sentir-me resignada? Nenhum. Não há como se livrar do sentimento de fracasso quando o único culpado é você mesmo. Não há como não se martirizar depois que se reconhece como causador da própria derrota para consigo próprio.

O que fazer diante isso? Nada! Nada! Está-se impotente, imobilizado em si próprio, incapaz de qualquer coisa que possa alterar as conseqüências do dia, dos dias que antecederam ao indiscutível fracasso.

Conformar-se? Não. Nunca, jamais, em tempo nenhum. Desistir? Tampouco. Ignorar? Impossível. Tomar como exemplo, como incentivo pelos dias que virão, como lição para que já se cometa os mesmos tolos erros. Acreditar? Sim, sempre. Quando se é bom, você jamais deixa de ser bom. Quando se é o melhor para si próprio, haverá sempre uma nova oportunidade de a todos também mostrá-lo. Por maior que seja o sentimento de culpa, quando se é competente, sempre o será. Never let your star stop shinning…

Stop Crying Your Heart Out – Leona Lewis

Camino Al Sol – RBD

“If I fail, if I succed, at least I lived as I believe…”

“You’re a winner, for a lifetime, if you see that’s one moment in time…”

Whitney Houston – Greatest Love of All & One Moment in Time

Será o fim?

Sempre que comemoramos a passagem de um milênio ou século para o seguinte, sentimentos apocalípticos parecem tomar conta das pessoas. Em 1999, ficamos à espera do fim anunciado por Nostradamus, que aconteceria simultanemente a um eclipse solar. O tempo passa, a tecnologia avança, mas as velhas crenças persistem… A do fim dos tempos é uma delas… Quem sabe a mais veemente delas…

Dizem quem 21/12/2012 o mundo que conhecemos acabará, pois isso está escrito no calendário Maia. Não acredito. Inclusive, antropólogos mexicanos já provaram que é balela (ao menos de acordo com o calendário Maia). E eis que em meio a minha pacata vidinha  de estudante de Economia e escritora, descubro o seguinte: o juízo final acontecerá no dia 21/05/2011. E eu pensei: “Caramba! Só mais dez dias! Como assim? Eu não me formei, não conquistei o emprego que almejo, não casei, não tive filhos, não publiquei meus livros! Não posso morrer agora!”

Devem estar-me julgando como uma idiota, mas realmente não ligo… Dessa vez a explicação para a teoria do fim é simples: Segundo uma interpretação da Bíblia feita por um pastor norte-americano, o dia 21/05/2011 está a exatos 7000 anos do grande dilúvio que motivou a Arca de Noé, portanto, seria o fim da humanidade (com um mega terremoto à meia-noite)… Além disso, mostra uma série de passagens bíblicas que comprovariam o raciocínio. Confesso que fiquei assustada. Sou cristã e a Bíblia é aquilo em que mais acredito (não, este post não é uma discussão religiosa, não se acanhem!) então assustou-me saber que a Bíblia traria indícios de um fim tão próximo.

E senti-me mal por dar algum crédito… Sabe quando pensamentos ruins perturbam sua mente? Pensar no fim do mundo é assim. É angustiante. Sobretudo quando se é jovem e cheio de sonhos… É muito triste pensar que vai morrer sem realizar nenhum deles!

E então, pessoa conspiradora que sou, comecei a buscar fatos que vão contra a apavorante teoria… Bem, o primeiro fato é que nunca será exatamente meia-noite em todos os lugares do mundo ao mesmo tempo. Além disso, a Bíblia afirma repetidas vezes que ninguém sabe/saberá quando será o fim. Se assim é, como um pastor pode afirmar isso? Deve ter complexo de Messias, não?? Isso sem falar nas teorias de que o calendário cristão estaria atrasado em relação ao nascimento de Jesus… Segundo algumas delas, deveríamos estar em 2017, não em 2011… Assim, os 7000 pós Arca de Noé já teriam passado… Ah, vale lembrar que a Bíblia alerta os cristãos a respeito dos falsos profetas… Acho que esse sujeito seria um desses, não? E mesmo que ele esteja certo, por que não nos deixar viver os últimos dias de forma tranquila, sem pânico?

Sabe, espero sinceramente que chegue o dia 22/05/2011… Sem terremotos, sem juízo final e com um louco se matando, porque a humanidade não precisa de fanáticos de religião alguma… Aliás, um outro louco, em Nova York, gastou US$140.000,00  para divulgar o fim do mundo… Ah, se não houver post no dia 22 é porque estou esperando o dia 24, não porque o mundo acabou!

Para finalizar, enquanto Britney diz “keep on dancing till the world ends”, eu fico com o “keep on studying till the world ends”, já que não posso deixar meu CR ir para o buraco baseada em uma teoria dessas… Assim, fiquem com os vídeos de “Till the World Ends” – Britney Spears e “I Don’t Wanna Miss a Thing” – Aerosmith (trilha do filme Armagedon).

 Beijos e que este não seja o fim!

http://politicadesaltos.blogspot.com

@thaisdramaqueen

Oh Mother

“Ainda não era nove horas da manhã e, embora se sentisse um tanto quanto solitária ficando sozinha em seu quarto, Victoria sentia-se melhor ali. Talvez se eu ficar aqui entre as refeições, Patrícia sinta-se à vontade o suficiente para ao menos sair do quarto e levar sua vida… Diante a penteadeira, um longo suspiro. Ajeitou o arco verde-maçã no cabelo e a blusa de mesmo tom que usava para dentro de uma saia bege à altura um pouco acima dos joelhos com botões frontais e aproximou-se da porta que dava para a varanda. Abriu-a e, ao ver parte do jardim, sorriu. Perdi tanto dos meus filhos… Deviam correr por tudo isso e brincar com as flores, com a grama… Será que ainda posso ser mãe deles sem nada disso ter acompanhado?

Seus olhos encheram-se de lágrimas e viu-se obrigada a respirar fundo para conte-las. Não devo pensar no que não foi, tenho de me concentrar no que será e no que virá… Suspirou e sentou-se na varanda, abrindo um livro. Não conseguiu prosseguir com a leitura; batiam a sua porta. O que terá acontecido para que Alice me procure? Já decidimos o que será servido no almoço… Preocupada, pôs de lado o livro e retornou ao quarto. Ao abrir a porta, silêncio. Nenhuma palavra, olhares emocionados e um forte e demorado abraço. Mãe e filha enfim se aproximavam.”

(Trecho de “Primavera” – por Thaís Gualberto)

Mãe que é mãe, mesmo quando, por obra do destino, distante, não esquece jamais seus filhos. Mãe que é mãe é sempre a melhor do mundo na opinião de seus filhos. Mãe que é mãe tem defeitos, mas qualidades muito mais veementes que estes.

Estou um pouco atrasada, mas nunca é tarde para dizer:

mãe, eu te amo!

trilha sonora: “I Turn to You” – Christina Aguilera

Jay Asher – “Os 13 Porquês”

 

Último dia do mês, dia de Projeto 12!

O livro que trago hoje li há quase um ano, mas por ser muito bom, trago-lhes a indicação. Uma história sem nenhum mistério que é contada de forma a se tornar um instigante mistério (oi, paradoxo!) sobre um tema atual e polêmico: a decisão pelo suicídio.

Autor: Asher, Jay

Editora: Ática

Preço: 27.00

Primeiro romance de Jay Asher, que teve a idéia de escrevê-lo enquanto visitava um museu e escutava os comentários gravados sobre as obras em um áudio-guia,  “Os 13 Porquês” é um livro que hipnotiza, que te faz querer avançar rapidamente as linhas e conhecer o desfecho.

Como seu evidente protagonista, o adolescente Clay Jensen, que recebe um pacote com 7 fitas cassete, nas quais estão gravados os 13 motivos que a falecida Hannah Baker teve para se retirar da vida, 13 pessoas que fizeram com que ela procurasse tão fatídico fim. Ele era uma das pessoas nas fitas e havia uma regra: Depois de escutar as fitas, passe-as ao nome seguinte ao seu. Tomado por espanto, angústia e muito medo, Clay permanece escutando as gravações madrugada afora. Ele segue as palavras de Hannah pelas silenciosas ruas de suas cidades e o que ele descobre, muda sua vida para sempre…

Ponto forte: A história tem um dinamismo impressionante, além de ser contada de um modo extremamente original, e Jay Asher é brilhante e extremamente honesto ao retratar os dramas de Hannah. Coisas aparentemente normais entre adolescentes que para alguém com a mente fraca provocam um forte abalo e nunca sabemos de fato como uma pessoa irá reagir a algo que fazemos. Hannah apenas se matou, outros tantos eliminam vidas antes de acabar com a própria. Em suma, o livro nos evidencia o quanto é importante pensarmos bem antes dizer/fazer algo com/para outro.

Ponto fraco: A própria Hannah. Eu, particularmente acho que nenhum dos motivos por ela justificam o suicídio. Conversar com a família, procurar ajuda médica são sempre saídas melhores e reconheço que é muito difícil para mim entender como pode um suicídio justificar-se.

Nota: 9.5

PS: Recentemente a Universal adquiriu os direitos da história e Selena Gomez é a mais cotada para dar vida à Hannah Baker.

Interessaram-se?

xoxo

http://politicadesaltos.blogspot.com

@thaisdramaqueen

Chega de cantadas!

Contém trechos de “Mulheres se organizam para combater cantadas de rua”

Que mulher nunca escutou um indecoroso “fiu-fiu” ou um malicioso bom dia vindo de algum desconhecido? Inegavelmente, é chato. Muitas vezes, constrangedor, mesmo que não sejamos tocadas. O simples fato de um estranho olhar-nos com cobiça é aviltante.

Contra esses atos, mulheres em diferentes partes do mundo estão-se reunindo. Uma das iniciativas partiu da britânica Vicky Simister, que fundou o Anti-Street Harassment UK depois de ter sido perseguida nas ruas de Londres por um grupo de homens que se insinuou sexualmente para ela. “As mulheres são aconselhadas a ignorar (as insinuações), e não costumamos falar a respeito. Em consequência, esses homens continuam a fazer isso e a cada vez mais passar dos limites”, disse Simister à repórter Brigitt Hauck, da BBC News.

Já o grupo internacional Hollaback! está estimulando as vítimas das cantadas indesejadas em todo o mundo a relatar suas histórias online e identificar os locais onde elas ocorreram. Algumas até postam fotos dos homens “inconvenientes”. As ativistas alegam que é difícil distinguir quais homens se limitarão aos assobios dos que de fato podem ir além das cantadas e evoluir para a violência sexual. “Isso deriva de uma cultura de gênero baseada na violência”, alega Emily May, a fundadora do Hollaback!. “Para mudá-la, é preciso que as pessoas reajam e digam que o assédio nas ruas não é legal, porque a maioria das pessoas não quer que ele ocorra.”

Para a socióloga Kathrin Zippel, entretanto, professora associada da Universidade Northeastern (EUA) e pesquisadora do tema, as cantadas nas ruas são vistas, em geral, como um comportamento natural dos homens. Estes, por sua vez, usam as cantadas para atestar sua masculinidade e se “provar” perante seus amigos. “Muitas vezes isso não diz respeito às mulheres, e sim a uma dinâmica entre homens”, ela afirma.

Alguns países promoveram iniciativas para tentar combater as insinuações inconvenientes, como Índia, Japão e México, que destacaram vagões de metrô para serem ocupados apenas por mulheres. Críticos, porém, dizem que a medida tem efeitos temporários e insuficientes, pois isso acentuaria as diferenças, de forma que vagões mistos teriam menos mulheres e as que ali estivessem ficariam mais vulneráveis ao assédio.

Holly Kearl, fundadora do site Stop street harassment, acredita que é indispensável a adesão dos homens que também se opõem às cantadas nas ruas. “Precisamos da adesão dos homens. Na nossa sociedade é muito fácil que as mulheres sejam vistas como objetos, então é importante que eles se lembrem de que cada mulher assediada é mãe, irmã ou filha de algum deles, é alguém que merece respeito”, diz Kearl.

Eu apoio movimentos como esse e acho indispensável que haja punições para os homens que assim agem, pois é muito desagradável caminhar e ser abordada apenas por que demonstramos vaidade. Usar batom, salto alto, saias, vestidos não é sinônimo de vulgaridade, muito menos de prostituição, logo é completamente descabido que um homem qualquer sinta-se no direito de dirigir palavras de baixo nível para nós. Enfim, o que não podemos é deixarmos de ser mulheres por causa de tipos como esses.

O que pensam sobre o assunto?

xoxo

http://politicadesaltos.blogspot.com

@thaisdramaqueen