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Irena Sendler

Há cerca de 3 anos por meio de um e-mail de uma amiga, tomei conhecimento de uma das mais sensacionais biografias com que já tive contato. Irena Sendler, o anjo do gueto da Varsóvia. Hoje, compartilho um pouco dela, que foi tema de um trabalho que fiz sobre heróis, no 2º ano do Ensino Médio.

Heroína desconhecida fora da Polônia e apenas reconhecida no seu país por poucos historiadores devido ao obscurantismo comunista que havia apagado sua façanha dos livros de história oficiais, Irena nunca contou a ninguém sobre sua vida durante aqueles anos. Em 1999 sua história começou a ser conhecida graças a um grupo de alunos de Kansas através de um trabalho de conclusão de curso sobre os Heróis do Holocausto. Na pesquisa encontraram poucas referências sobre Irena com um dado surpreendente: 2.500 vidas foram salvas por ela. Como era possível não existir informação sobre uma pessoa assim? Mas a maior surpresa viria depois. Ao investigarem o local do túmulo de Irena descobriram que nunca existiu porque ela estava viva. Aos 97 anos residia em um asilo em Varsóvia num quarto cercado de flores e cartões de agradecimento de sobreviventes e filhos destes em sua honra.

Irena Sendler em 2005


Quando a Alemanha invadiu o pais em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, onde cuidava das refeições comunitárias. Desde o outono de 1940, Irena Sendler assumiu riscos consideráveis para levar alimentos, roupas e remédios aos habitantes do gueto que os ocupantes nazistas instalaram num quarteirão da capital. Em 4 km2, eles colocaram 500.000 pessoas. Ao assistí-los no Gueto de Varsóvia Irena, horrorizada pelas condições de vida impostas a seus moradores. Devido à falta de comida, muitos morreram de fome ou em decorrência de doenças. Os outros foram mandados para as câmaras de gás do campo de Treblinka. No fim do verão de 1942, ela resolveu unir-se ao movimento de resistência Zegota (Conselho de Ajuda aos Judeus) criado por um grupo de resistência heróica antes de o exército nazista destruir completamente o quarteirão.

Como os alemães receavam uma epidemia de tifus aceitavam a ajuda dos poloneses para controlar a situação e os deixavam tomar conta do local. Irena fazia contato com as famílias oferecendo ajuda para levar filhos e netos com ela para fora do Gueto. Era um dos momento mais dolorosos de sua experiência; deveria obter a confiança dos pais e convencê-los a entregar-lhe seus filhos. Era indagada: “Pode prometer que meu filho viverá?…..” E a única coisa que poderia dar como certa é a de que morreriam se permanecessem ali. O mais duro era o momento da separação.

Começou a tiráa-los em ambulâncias como vítimas de tifus, e se valia de todos os meios e de tudo o que estivesse ao seu alcance para escondê-los e tira-los dali: cestas de lixo, sacos de batatas, malas, etc. Em suas mãos, qualquer coisa se transformava numa via de escape. Conseguiu recrutar ao menos uma pessoa de cada um dos dez centros do Departamento de Bem-estar Social. Com a ajuda dessas pessoas elaborou centros de documentos falsos, com assinaturas falsificadas, dando identidade temporária às crianças judias. Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos da paz. Era incansável. Queria que um dia pudessem recuperar seus verdadeiros nomes, sua identidade, suas histórias pessoais e suas famílias. Foi quando inventou um arquivo que registrava os nomes dos meninos com suas novas identidades. Anotava os dados em pedaços de papel que enterrava, dentro de potes de conserva, debaixo de uma maciera, no jardim do seu vizinho.

Algumas vezes quando Irena e suas companheiras retornavam a estas famílias a fim de persuadi-las era informada que todos haviam sido foram levados aos campos de extermínio. Cada vez que isso ocorria, ela lutava com mais força para salvá-las.Quando caminhava pelas ruas do gueto, Sendler usava uma braçadeira com a Estrela de David, em solidariedade aos judeus, e afim de não chamar a atenção.

Um dia os nazistas acabaram descobrindo suas atividades e a levaram à prisão. Quebraram-lhe os pés e as pernas, além de inúmeras torturas. Queriam que delatasse quem eram seus colaboradores e os nomes das crianças que ajudara a salvar. Por não revelar absolutamente nada, em total silêncio, foi sentenciada a morte.

Irena era a única pessoa que sabia os nomes e onde se encontravam as famílias que abrigaram as crianças judias. A caminho de sua execução, o soldado que a levava a deixou escapar. Embora oficialmente ela constasse nas listas dos executados, a resistência havia subornado o soldado salvando a vida de Irena. Ela mesma desenterraria os vidros com as anotações e tentaria unir os 2500 meninos que colocou com famílias adotivas devolvendo-os a suas verdadeiras famílias. Infelizmente, a maioria tinha perdido seus pais e irmãos nos campos de concentração nazista.

O pai de Irena, um médico que falecera de tifus quando ainda pequena, lhe fez memorizar o seguinte: “Ajude sempre a quem estiver se afogando, sem levar em conta a sua religião ou nacionalidade. Ajudar cada dia alguém tem de ser uma necessidade que saia do coração.”

Os meninos só a conheciam pelo apelido: Jolanta. Anos mais tarde, quando a sua história saiu num jornal com sua foto antiga, diversas pessoas entraram em contato: “Lembro de seu rosto… sou um daqueles meninos, lhe devo a minha vida, meu futuro, e gostaria de vê-la!” Irena viveu anos numa cadeira de rodas pelas lesões e torturas impostas pela Gestapo. Em maio de 2008, aos 98 anos, faleceu.

Funeral de Irena Sendler, 2008


Não se considerava uma heroína e jamais reivindicou crédito por suas ações: “Poderia ter feito mais” e completa: “Este lamento me acompanhará até o dia de minha morte!”

Se Irena não foi uma legítima heroína ao salvar tantas vidas, quem pode ser considerado como tal?

Deixo-lhes com a belíssima canção “Nei Giardini Che Nessuno Sa”, com tradução aqui, na voz de Laura Pausini. Reflitam sobre ela, vale à pena.


xoxo

@thaisdramaqueen

Parte do texto extraída de pt.chabad.org

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Queen Victoria

Para mim o recente Casamento Real na Monarquia Britânica significou bem mais que o ar de conto de fadas, a análise do vestido/maquiagem/cabelo da noiva ou de convidados e as implicações deste (obviamente também me interessei por tudo isso. – risos). Como outros eventos de tal porte, este me empolgou quanto à cultura britânica, propriamente dita, e à História desse povo, o que incluiu a Real Genealogia Britânica, que contém figuras fantásticas para se analisar, inclusive femininas…

Em Londres, em 24 de maio de 1819, nascia, com o nome de Alexandrina Victoria, a que eu considero a mais veemente rainha da História Ocidental: A Rainha Victoria da Grã Bretanha.

Coroação da Rainha Victoria

Não digo isso apenas pelo reinado, iniciado em 1837, quando Victoria tinha apenas 18 anos, que foi talvez aquele em que a Inglaterra tenha vivido seu período mais áureo, glorioso (econômica e culturalmente falando), mas sim porque vejo-a como uma das mais impressionantes figuras femininas de destaque mundial com que já me deparei. Em uma época em que apenas homens tinham direito ao voto, que mulheres eram apenas objetos de ostentação (para poderosos homens) e reprodução, Victoria foi rainha, e uma rainha bastante influente para os padrões britânicos, cujo regime de Monarquia Constitucional (parlamentarista) reduz bastante o poder Real, uma rainha influente para o mundo. Mais que isso, Victoria recuperou valores morais, dos bons costumes e da família ao viver, como figura central do país, uma linda e, algo triste, história de amor com o Príncipe Albert, seu marido. E é esse lado, digamos, família e mulher apaixonada, que trago hoje (post quase no estilo do romance que escrevo)…

Victoria era muito romântica e, à primeira vista, apaixonou-se pelo Príncipe Albert de Saxe-Coburg and Gotha, seu primo pelo lado materno. Em seu diário (transcrito postumamente a pedido desta por sua filha mais nova, a Princesa Beatrice), a então princesa fez belos e emocionados relatos.

Tradução livre:
“Albert é extremamente belo… Seu cabelo é praticamente da mesma cor que o meu; seus olhos são grandes e azuis, e ele tem um belo nariz e uma boca muito delicada com estreitos dentes; mas o charme de seu semblante é sua expressão, que é a mais encantadora…” “[Albert] is extremely handsome; his hair is about the same colour as mine; his eyes are large and blue, and he has a beautiful nose and a very sweet mouth with fine teeth; but the charm of his countenance is his expression, which is most delightful.” ♥

Apesar do evidente amor pelo primo, Victoria, aos 17, não se sentia preparada para o casamento. Em 1939, Albert fez sua segunda visita à prima, já possuidora do título de Rainha do Reino Unido, e era nítido e mútuo o que sentiam um pelo outro. Em 15 de outubro de 1939, ELA propôs a ele que se casassem. Exatamente isso: no século XIX, uma mulher e Rainha da Inglaterra, pediu seu futuro marido em casamento, e não o contrário (girl Power!). Em 20 de fevereiro de 1840, eles se casaram na Capela Real do Palácio de St. James, em Londres. Victoria encantou-se! Ironicamente, passou a noite após o casamento deitada, com uma forte dor de cabeça, mas completamente extasiada.

Tradução Livre:
EU NUNCA, NUNCA passei uma noite como essa!!! Meu mais que querido queridíssimo querido Albert… Seu amor e afeto excessivos encheram-me de sentimentos de amor e felicidades celestiais. Eu nunca esperei sentir isso antes! Ele me apanhou em seus braços e nos beijamos e outra e outra vez! Sua beleza, sua doçura e delicadeza – como posso ser eternamente grata por ter um marido com este! Por ser chamada por nomes ternos que eu nunca havia escutado dizerem para mim – era uma felicidade além do acreditável! Oh! Esse foi o dia mais feliz de minha vida!” “I NEVER, NEVER spent such an evening!!! MY DEAREST DEAREST DEAR Albert … his excessive love & affection gave me feelings of heavenly love & happiness I never could have hoped to have felt before! He clasped me in his arms, & we kissed each other again & again! His beauty, his sweetness & gentleness – really how can I ever be thankful enough to have such a Husband! … to be called by names of tenderness, I have never yet heard used to me before – was bliss beyond belief! Oh! This was the happiest day of my life!”

Poucos meses depois, nasceu a primogênita do casal, também chamada Victoria. Relatos apontam que a Rainha odiava estar grávida, que se aborrecia por ter de amamentar e que achava recém-nascidos feios como rãs. Ainda assim, seu amor com o Príncipe Albert ainda lhes rendeu 8 herdeiros mais: Albert Edward (mais tarde rei Edward VII), Alice, Alfred, Helena, Louise, Arthur, Leopold e Beatrice.

Queen Victoria's family in 1846 by Franz Xaver Winterhalter esquerda-direita: Príncipes Alfred eAlbert Edward; a Rainha e o Príncipe Albert; Princesas Alice, Helena e Victoria

Infelizmente o que poderia parecer um conto de fadas terminou em apenas 21 anos de casamento. O Príncipe Albert faleceu em decorrência de febre tifóide e Victoria afastou-se da vida pública e apenas trajou preto até o final da vida, apesar da precoce viuvez, aos 42 anos. Confesso que fiquei bastante emocionada com o trecho a seguir… Emociono-me facilmente com as questões do amor…

Tradução Livre:
… ser mutilada no auge da vida – privada de nossa genuína felicidade, de nossa tranqüila vida familiar, que sozinha permitiu-me sustentar minha tão desgostosa posição, mutilada aos quarenta e dois – quando eu esperava com uma instintiva certeza que Deus jamais nos separaria e nos deixaria envelhecer juntos… – isso é tão horrível, tão cruel!“… to be cut off in the prime of life – to see our pure happy, quiet domestic life, which alone enabled me to bear my much disliked position, cut off at forty-two – when I had hoped with such instinctive certainty that God never would part us, and would let us grow old together … – is too awful, too cruel!”

Rumores sobre paixões após a viuvez existem, incluindo uma espécie de mordomo inglês e um criado indiano, mas isso pouco importa; nada se compararia ao amor que por Albert sentia. Em 22 de janeiro de 1901, Victoria deixou-nos, finalizando o mais longo reinado da Monarquia Britânica: 63 anos e alguns meses (pouco falta para que a Rainha Elizabeth II, sua trineta, a supere) Seus filhos e netos faziam parte das diferentes famílias reais européias e a maioria dos atuais monarcas são seus descendentes.

Curiosidades:

  • Comecei a escrever meu romance beem antes de me interessar pela Família Real Britânica e, quando comecei a ler sobre esta, descobri que vários de meus personagens (quase todos) tem nomes de membros dessa. Exemplo: Victoria, a protagonista, e Eduardo, o protagonista… (Os pais da rainha chamavam-se Victoria e Edward).
  • Victoria e Albert costumavam vestir os filhos em casa com roupas da classe média e seus quartos na casa de campo tinham pouco aquecimento, além de deixarem-nos brincar com filhos de camponeses quando iam para o campo, tudo isso a fim de que se sentissem mais próximos dos súditos.
  • A Rainha tinha como desejo que sua filhas casassem por amor, mas que este estivesse em alguma Monarquia Europeia.

Por amar intensamente, reinar por um longo período de destaque para Inglaterra, por ser mulher e ter-se imposto ao mundo antes mesmo que tivéssemos direito ao voto, deixo expressa aqui minha enorme admiração pela Rainha Victoria.

Espero que tenham lido esse longo post até o fim… Seria impossível falar de Queen Victoria em poucas linhas… Para ler trechos do diário da Rainha, acessar o link abaixo para o site oficial da Família Real.

“God bless the Queen”

Fontes:
Wikipédia
The British Monarchy (official)

xoxo
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@thaisdramaqueen