Uma visão nerd da educação

Minha colaboração para uma postagem coletiva, minha primeira desse tipo!! Agradeço ao blog Uma Pandora e sua Caixa pelo convite!!

Eu sempre fui tida como nerd do tipo que tem boas notas. Não uma nerd típica de óculos e aparelho fixo (aka Yo Soy Betty, La Fea), mas usei aparelho fixo por um tempo e, bem sou vaidosa demais para ser uma típica nerd… Mas, bem, como nerd que sou, tenho uma visão beeem peculiar a respeito de como deveria ser o ensino. O sistema em si, o regulado pelo MEC, esses vocês podem ler algumas de minhas opiniões no semi-abandonado Política de Saltos. Quanto a como (eu penso que) as escolas deveriam ser, aqui vai…

Colégio não deveria ter recuperação. Um aluno que teve apenas notas ruins ao longo de um ano não merece uma chance de ser aprovado por melhor que seja seu comportamento, por maior que seja seu carisma. Colégio não existe para aprovar quem é gente boa, mas sim para formar pessoas competentes. O que uma prova com, digamos, uma questão sobre cada tópico estudado da matéria prova que a pessoa aprendeu? Quem não aprendeu em 12 meses, decerto não aprenderá em 1 ou 2 semanas.

Eu sei que me acham exagerada, mas o aluno “empurrado” atrapalha. Atrapalha porque não tem a base requerida para estar na série seguinte. E aí já fica evidente que sou completamente contrária ao sistema de aprovação automática na rede pública de ensino. Como se não bastasse a pífia qualidade deste, ainda deixam um aluno semi-analfabeto chegar ao nono ano do fundamental em apenas 9 anos? É demais para mim… Mas bem, em colégios particulares não fica muito diferente… Eu mesma estudei em uma turma que era considerada, em todos os aspectos, a pior do colégio… De 42 alunos, 37 ficaram “pendurados” em Química. Uns 20 e tantos, pelos menos, estavam pendurados em mais de 3 de 11 matérias. E o que aconteceu? TODOS foram aprovados! TODOS! Absurdo? Claro que não… Decisão de conselho de classe!

E daí haveria quem me dissesse ” Ah, mas você não pode querer que todos sejam como você, que tenham tanto empenho para estudar…” Não quero, tampouco espero que sejam como eu, maaas… Escola é responsabilidade, um compromisso que deve ser levado a sério, logo o mínimo que devemos fazer é estudar. “Ah, é muita maldade reprovar o fulaninho porque ele reprovou uma matéria”, não, também não faz sentido. Na faculdade repete-se por matéria e confesso que isso sim considero inteligente, mas sempre vão dizer que um adolescente/criança não terá maturidade para fazer umas matéria em uma série e outras em outra. E bem, até certa fase, é fato. O caso é: se o fulaninho tinha dificuldade em Matemática, deveria ter estudado mais Matemática que as demais, diminuído o tempo de lazer para tentar aprender, procurar as causas do problema.

Também tenho minhas reclamações sobre o 3º ano. Aulas todos os dias em duplo período são descabidas e desumanos. Se as escolas perdessem menos tempo explicando 15 vezes o mesmo tempo, poderíamos ter um 3º ano apenas de revisão e sem milhões de aulas. Aliás, qual a necessidade dos simulados? Se eu quero empenhar-me no vestibular é um problema meu, eu que procure e tente fazer as provas em casa! Eu fiz TODOS os ENEM, TODAS as provas da UERJ qualificação de 2003-2009, TODAS as primeiras fases da UFF de 2001-2009. Eu que aprenda a controlar meu tempo de prova!  A propósito, o que eu tenho de fazer na aula de Física se vou prestar vestibular para Economia? Pior: por que deixar os alunos em pânico com simulados quando o ENEM exige um nível de conhecimento pífio, muito aquém do ensino médio e mais aquém ainda do necessário para provar se um aluno está ou não apto a ir para a universidade? Pior: incutem-nos que as Federais são melhores em todas as áreas, o que não é verdade se considerarmos que as melhores faculdades de Economia do país são a FGV-RJ e a Ibmec-RJ e que a melhor em Administração é a FGV-SP, já que as públicas tendem a adotar Karl Marx como o único que viu corretamente o mundo…

Ah, não adianta reclamar SÓ da qualidade do ensino quando grande parte dos alunos não faz por onde…  Mais que isso, revejamos os métodos… Isso de alunos estudarem até sábados e domingos com o intuito de passarem no vestibular é loucura! Sem um mínimo tempo semanal para aquilo que nos dá prazer, somos facilmente aniquilados!

Acho que vou encerrar por aqui porque já devem estar querendo mandar uma nerd para a fogueira… Isso sem falar no quão enorme seria o post se eu fosse expor tudo o que penso sobre a educação…

xoxo

@thais_gualberto

Sobre Thaís Gualberto

Economista & Escritora // Economist & Writer

Publicado em 23 de julho de 2011, em Comportamento, To think About e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. Você chutou o pal da barraca geral!!!! Eu também fui nerd, mas minha escola era uma loucura total, eu tinha que me dedicar por minha conta e risco e adorava, minha formação foi mais livre, no entanto mais cheia de deficiencias… A de se notar através dos meus pecadas na grafia das palavras!

    Enfim, gostei de vê, obrigada pela participação, já deixei o link daqui na postagem táh!!!

    Cheros e parabéns pela visão critica!

  2. Thais, como não concordar com vc?
    Eu tambem fui uma tipica nerd, responsavel pelos meus sucessos e fracassos em todas as provas que realizei.
    Sou totalmente contra o sistema de aprovação automatica, isso inflluencia diretamente no respeito que os alunos deixaram de ter pelo professor. É comum o jovem perder o interesse plos estudos quando percebe que não precisa se esforçar para “passar de ano”como qualquer “nerd”. Eles não tem maturidade para lidar com essa informação.
    Nem a vida depois da escola ajuda muito a selecionar quem se esforça o minimo, afinal, pra ser jogador e modelo(??) não precisa estudar, não é?

    Valores estranhos…muito estranhos…

    Adorei seu texto, parabens!

    • É exatamente esse o ponto. Sabe, é-me aviltante ver jogadores multimilionários enquanto muitas pessoas que se dedicaram a aprender uma profissão buscam um emprego e não o conseguem. Temos é de ter filhos e transmitir melhores valores para que as gerações futuras sejam melhores…

  3. Mal começaram as férias, minha filha fez as malas e foi pra casa dos primos. Voltou no fim de semana, desesperada. Acha que tirou nota baixa em inglês. Eu, que também estou de férias da “responsabilidade pedagógica”, não fui à escola pegar as provas. Semana que vem eu vou, vamos descansar… Mas o problema é que ela queria que eu verificasse se a nota foi mesmo baixa e que eu marcasse a prova de recuperação. Eu avisei: quer saber de uma coisa? Eu sou totalmente contra essa droga de prova de recuperação. Um aluno faz teste e prova e fica com média nove. Um outro folgado pode alcançar a mesma média com teste, prova e prova de recuperação. Injusto. Tirou nota baixa, vai correr atrás no próximo bimestre. Sou contra prova extra e trabalhinhos que só servem pra distribuir pontinhos.
    Claro que eu disse isso mas no dia seguinte estava sentada com ela, revisando a matéria de inglês.

  4. Nas universidades federais de economia e administração se usa somente Karl Marx? Caraca na UFRJ na parte de humanas os professores põe Marx na cruz kkkkkkk.
    de certa forma vc tem razão se não tivesse recuperação e prova final os alunos se esforçariam mais para passar. As escolas só acham que o aluno deve ser bom na época do vestibular, o que é um grande pesar porque isso não ensina ninguém a ser cidadão. beijos e obrigada por participar da blogagem coletiva!

    • Não quero dizer isso, embora tenha ficado subentido. Falo pelo relato de amigos próximos que garantem que para muitos professores criticar Marx é uma heresia. Esse professor que cita é dos meus! ^^
      Passar no vestibular é importante, mas não deve ser o fundamental. O colégio tem de formar alunos com conteúdo!

  5. Concordo e discordo, exatamente o contrário…
    Concordo que a educação precisa de uma reformulação em todas suas bases, mas parto do príncipio de que vai muito além da maturação e “repetição”, de testes e este arcadismo cultural em que todos são iguais e vazios e precisam ser preenchidos, isso não é verdade…

    Antes do ensino metódico, é preciso ensinar as pessoas a aprenderem, não adianta querer ensinar ciências antes de ensinar a filosofia da ciência, que por sua vez de nada adianta ser ensinada se não for ensinado o significado do conhecimento, que por sua vez, só faz sentido se for ensinado o que é conhecer…

    A aptidão do aluno é aplicada em vários níveis durante seu aprendizado escolar, da minha perspectiva, todos os alunos deviam ser expostos ao aprendizado dinâmico e não ao “estudo, exercícios e provas”, falta o teor maiêutico, falta a metodoligia filosófica, o empirismo ciêntifico; Do meu ponto de vista, o ensino fundamental devia ser basicamente filosofia e linguistica para no ensino médio os alunos tivesse capacidade para selecionar o rumo que pretende tomar em sua vida e optar pelo o que realmente vale a pena estudar, assim ensinariam a aprender antes de quererem ensinar!

    Amei o texto, de verdade… Mas acho que foi bem radical😄
    Grande abraço!

  6. Long Haired Lady

    Oi!! Super obrigada pela visita e pelo comentário, claro que você pode copiar a ideia! Acho mais legal fazer no blog, porque aí dá pra comentar melhor o porquê da sua escolha! (se bem que eu estou fazendo por semana e bom, isso vai demorar um tempãããão!)

    Gostei muito do seu post, concordo em muitas partes, TEM que haver uma reformulação do ensino, urgentemente! Eu trabalho com educação não formal, na área de artes visuais e é um absurdo o quanto a gente percebe que no final das contas o aluno não só não está preparado no que diz respeito às matérias e todo o conteúdo escolar, mas como ele também foi completamente esquecido como ser humano sabe? Criatividade, sensibilidade, pensamento crítico. tudo isso foi deixado de lado.
    Enfim… é um assunto difícil e que envolve tantas coisinhas!

    Beijos!!

  7. Uau!
    Sim, a aprovação automática é uma porcaria. Sim, aprovar um aluno por seus problemas familiares e dificuldades pessoais não é a melhor solução do mundo. Concordo com a primeira, questiono a segunda. Eu adoraria que tivesssemos capacidade pra ter essa exigência alta, essa profissionalização na hora de aprovar e reprovar, mas isso não é tão simples.
    1. A cultura geral do povo brasileiro é que a educação serve apenas para conquistar um diploma. Tendo o diploma, seja do que for, basta. Ninguém questiona se realmente sabe-se ou não. Se, em vez do simples diploma, fossem observadas mais especificamente as notas, talvez o valor da educação para todos aumentasse.
    2. Querendo ou não, somos humanos. É fácil dizer “reprove-o, apesar de tudo”, mas aí te pergunto: Tu já esteve do outro lado? Tu já chegou em uma sala com 30, 40 alunos pronta a ensinar, ouviu uma criança dizer com banalidade um problema familiar que te espanta, percebeu como a criança pode saber e ser atrapalhada pelo nervosismo implantado pela pressão de família, amigos ou sabe-se lá quem? Quando tu vê que uma criança se esforça, não pode deixar de passá-la, mesmo que tenha alcançado uma nota média com mil vezes mais dificuldades que os demais. Não, não aprovo a aprovação por pena, mas há casos e casos e implantar uma certa ditadura não seria tão benéfico assim.
    A sociedade em geral tem que repensar seu respeito e valor pela educação, como demonstrá-lo e como exigi-lo. Não basta apenas exigir, apenas reclamar, apenas elogiar… Extremos, não! É preciso ser consciente, repensar e mudar.

  8. Não poderia concordar mais com você.
    Falo as mesmas coisas e sempre me olham torto (principalmente pelo fato de ser professora).
    As pessoas acham que essa maquiagem toda de recuperação, trabalhos extras e cotas vão ajudar as pessoas em alguma coisa.
    Enfim… nem vou me aprofundar muito, senão falarei pelos cotovelos.
    Beijos!

  1. Pingback: Blogagem Coletiva sobre Educação Escolar « Mondo de Aline

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