Queen Victoria

Para mim o recente Casamento Real na Monarquia Britânica significou bem mais que o ar de conto de fadas, a análise do vestido/maquiagem/cabelo da noiva ou de convidados e as implicações deste (obviamente também me interessei por tudo isso. – risos). Como outros eventos de tal porte, este me empolgou quanto à cultura britânica, propriamente dita, e à História desse povo, o que incluiu a Real Genealogia Britânica, que contém figuras fantásticas para se analisar, inclusive femininas…

Em Londres, em 24 de maio de 1819, nascia, com o nome de Alexandrina Victoria, a que eu considero a mais veemente rainha da História Ocidental: A Rainha Victoria da Grã Bretanha.

Coroação da Rainha Victoria

Não digo isso apenas pelo reinado, iniciado em 1837, quando Victoria tinha apenas 18 anos, que foi talvez aquele em que a Inglaterra tenha vivido seu período mais áureo, glorioso (econômica e culturalmente falando), mas sim porque vejo-a como uma das mais impressionantes figuras femininas de destaque mundial com que já me deparei. Em uma época em que apenas homens tinham direito ao voto, que mulheres eram apenas objetos de ostentação (para poderosos homens) e reprodução, Victoria foi rainha, e uma rainha bastante influente para os padrões britânicos, cujo regime de Monarquia Constitucional (parlamentarista) reduz bastante o poder Real, uma rainha influente para o mundo. Mais que isso, Victoria recuperou valores morais, dos bons costumes e da família ao viver, como figura central do país, uma linda e, algo triste, história de amor com o Príncipe Albert, seu marido. E é esse lado, digamos, família e mulher apaixonada, que trago hoje (post quase no estilo do romance que escrevo)…

Victoria era muito romântica e, à primeira vista, apaixonou-se pelo Príncipe Albert de Saxe-Coburg and Gotha, seu primo pelo lado materno. Em seu diário (transcrito postumamente a pedido desta por sua filha mais nova, a Princesa Beatrice), a então princesa fez belos e emocionados relatos.

Tradução livre:
“Albert é extremamente belo… Seu cabelo é praticamente da mesma cor que o meu; seus olhos são grandes e azuis, e ele tem um belo nariz e uma boca muito delicada com estreitos dentes; mas o charme de seu semblante é sua expressão, que é a mais encantadora…” “[Albert] is extremely handsome; his hair is about the same colour as mine; his eyes are large and blue, and he has a beautiful nose and a very sweet mouth with fine teeth; but the charm of his countenance is his expression, which is most delightful.” ♥

Apesar do evidente amor pelo primo, Victoria, aos 17, não se sentia preparada para o casamento. Em 1939, Albert fez sua segunda visita à prima, já possuidora do título de Rainha do Reino Unido, e era nítido e mútuo o que sentiam um pelo outro. Em 15 de outubro de 1939, ELA propôs a ele que se casassem. Exatamente isso: no século XIX, uma mulher e Rainha da Inglaterra, pediu seu futuro marido em casamento, e não o contrário (girl Power!). Em 20 de fevereiro de 1840, eles se casaram na Capela Real do Palácio de St. James, em Londres. Victoria encantou-se! Ironicamente, passou a noite após o casamento deitada, com uma forte dor de cabeça, mas completamente extasiada.

Tradução Livre:
EU NUNCA, NUNCA passei uma noite como essa!!! Meu mais que querido queridíssimo querido Albert… Seu amor e afeto excessivos encheram-me de sentimentos de amor e felicidades celestiais. Eu nunca esperei sentir isso antes! Ele me apanhou em seus braços e nos beijamos e outra e outra vez! Sua beleza, sua doçura e delicadeza – como posso ser eternamente grata por ter um marido com este! Por ser chamada por nomes ternos que eu nunca havia escutado dizerem para mim – era uma felicidade além do acreditável! Oh! Esse foi o dia mais feliz de minha vida!” “I NEVER, NEVER spent such an evening!!! MY DEAREST DEAREST DEAR Albert … his excessive love & affection gave me feelings of heavenly love & happiness I never could have hoped to have felt before! He clasped me in his arms, & we kissed each other again & again! His beauty, his sweetness & gentleness – really how can I ever be thankful enough to have such a Husband! … to be called by names of tenderness, I have never yet heard used to me before – was bliss beyond belief! Oh! This was the happiest day of my life!”

Poucos meses depois, nasceu a primogênita do casal, também chamada Victoria. Relatos apontam que a Rainha odiava estar grávida, que se aborrecia por ter de amamentar e que achava recém-nascidos feios como rãs. Ainda assim, seu amor com o Príncipe Albert ainda lhes rendeu 8 herdeiros mais: Albert Edward (mais tarde rei Edward VII), Alice, Alfred, Helena, Louise, Arthur, Leopold e Beatrice.

Queen Victoria's family in 1846 by Franz Xaver Winterhalter esquerda-direita: Príncipes Alfred eAlbert Edward; a Rainha e o Príncipe Albert; Princesas Alice, Helena e Victoria

Infelizmente o que poderia parecer um conto de fadas terminou em apenas 21 anos de casamento. O Príncipe Albert faleceu em decorrência de febre tifóide e Victoria afastou-se da vida pública e apenas trajou preto até o final da vida, apesar da precoce viuvez, aos 42 anos. Confesso que fiquei bastante emocionada com o trecho a seguir… Emociono-me facilmente com as questões do amor…

Tradução Livre:
… ser mutilada no auge da vida – privada de nossa genuína felicidade, de nossa tranqüila vida familiar, que sozinha permitiu-me sustentar minha tão desgostosa posição, mutilada aos quarenta e dois – quando eu esperava com uma instintiva certeza que Deus jamais nos separaria e nos deixaria envelhecer juntos… – isso é tão horrível, tão cruel!“… to be cut off in the prime of life – to see our pure happy, quiet domestic life, which alone enabled me to bear my much disliked position, cut off at forty-two – when I had hoped with such instinctive certainty that God never would part us, and would let us grow old together … – is too awful, too cruel!”

Rumores sobre paixões após a viuvez existem, incluindo uma espécie de mordomo inglês e um criado indiano, mas isso pouco importa; nada se compararia ao amor que por Albert sentia. Em 22 de janeiro de 1901, Victoria deixou-nos, finalizando o mais longo reinado da Monarquia Britânica: 63 anos e alguns meses (pouco falta para que a Rainha Elizabeth II, sua trineta, a supere) Seus filhos e netos faziam parte das diferentes famílias reais européias e a maioria dos atuais monarcas são seus descendentes.

Curiosidades:

  • Comecei a escrever meu romance beem antes de me interessar pela Família Real Britânica e, quando comecei a ler sobre esta, descobri que vários de meus personagens (quase todos) tem nomes de membros dessa. Exemplo: Victoria, a protagonista, e Eduardo, o protagonista… (Os pais da rainha chamavam-se Victoria e Edward).
  • Victoria e Albert costumavam vestir os filhos em casa com roupas da classe média e seus quartos na casa de campo tinham pouco aquecimento, além de deixarem-nos brincar com filhos de camponeses quando iam para o campo, tudo isso a fim de que se sentissem mais próximos dos súditos.
  • A Rainha tinha como desejo que sua filhas casassem por amor, mas que este estivesse em alguma Monarquia Europeia.

Por amar intensamente, reinar por um longo período de destaque para Inglaterra, por ser mulher e ter-se imposto ao mundo antes mesmo que tivéssemos direito ao voto, deixo expressa aqui minha enorme admiração pela Rainha Victoria.

Espero que tenham lido esse longo post até o fim… Seria impossível falar de Queen Victoria em poucas linhas… Para ler trechos do diário da Rainha, acessar o link abaixo para o site oficial da Família Real.

“God bless the Queen”

Fontes:
Wikipédia
The British Monarchy (official)

xoxo
http://politicadesaltos.blogspot.com
@thaisdramaqueen

Sobre Thaís Gualberto

Economista & Escritora // Economist & Writer

Publicado em 26 de maio de 2011, em Amor, Grandes Mulheres, Inspirations... e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Pessoalmente, acredito que vitória soube equilibrar bem a situação pela qual o Reino Unido passava em sua época, brilhantes colocações tathá como sempre… achei o texto maravilhoso😀

  2. É absurda a quantidade de significado e de história que esse casamento trouxe. Algumas pessoas só enxergam o vestido, a maquiagem, os convidados e etc, mas a riqueza do passado da Monarquia Britânica realmente é linda.
    Beeijo

    http://2charming.com.br

  3. Ela é com certeza um dos maiores ícones da história da moda, ela revolucuionou e colocou a estética em novos patamares!

    http://naominray.wordpress.com/
    @BlogInRay

  4. Oi. Amei seu post. Sou uma devoradora de livros de história, vidrada em contos de cavaleiros, castelos, reis e rainhas. Parabéns!

  5. Sou estudante de Licenciatura em Historia, estou fazendo uma pesquisa sobre a Rainha Vitoria , Confesso que fiquei muito interessada por sua historia, Gostaria de lhes pedir um favor, que mim manda-se por email todos os arquivos ou fontes que você tem sobre a Rainha Vitoria, isto vai ajudar muito na minha apresentação, não quero perder um detalhe-se quer , adoraria de compartilhar com minha turma da universidade a historia desse exemplo de mulher e Rainha, Alexandria Vitoria. Desde já agradeço sua atenção e aguardo com expectativas positivas a sua resposta.

  6. Estou orgulhosa por saber que eu levo o nome de uma mulher, que em minha opinião é um exemplo de mulher.

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