Ao Topo, como Mulheres

“Fluente em sete línguas, doutora. Cristina tinha méritos que poucos alcançavam. Era invejada. Sua capacidade de fazer bons negócios era surpreendente. Apesar do alto cargo que ocupava, era feminina, dona de uma estonteante e distinta beleza. Impunha-se e obtinha o êxito”. Fala-se muito a cerca do crescimento da participação da mulher na sociedade ao longo do século XX; de conquistas como a pílula anticoncepcional, o direito ao divórcio, a possibilidade de ocupar cargos que antes eram prerrogativa apenas dos homens; entretanto pouco se analisa as conseqüências negativas para todas.

Um dos principais ônus proporcionados pela dita revolução feminista refere-se à maternidade. Ao assumir um posto elevado em uma grande empresa, a mulher, em geral, sente-se comprometida consigo própria a mantê-lo e não se afastar dele. Assim, adia ao máximo momento de ter um filho e até mesmo de se casar ou desiste de ambos em nome da carreira escolhida, fato este acompanhado pelo receio de não conseguir conciliar a vida profissional e as responsabilidades na qual implica formar uma família.

Pensamentos como “Com quem deixar a criança?”, “Não vou ter tempo para educar um filho” ou “Preciso dedicar-me ao meu trabalho independentemente do resto.” parecem constantes entre as profissionais de alto nível de qualificação. Perder aquilo que com tanto esforço fora conquistado devido a uma gravidez pode soar grotesco, no entanto é cabível considerando-se que homens não recebem licença maternidade de quatro meses (a licença paternidade é de apenas uma semana) e dificilmente faltarão ao trabalho por estar com um filho doente. Ainda hoje, mulheres são significativamente menos contratadas que homens para cargos de grande responsabilidade e recebem menores salários que aqueles.

Outro aspecto que aparentemente resultou da expressiva inserção feminina no mercado de trabalho é a masculinização das mulheres. E isso começa nas escolas, que, em sua maioria, impedem meninas de usarem sandálias ou sapatos de salto e as obrigam a usar calças jeans. Conforme se passam os anos, torna-se mais rara a visão de uma mulher que se expresse plenamente como tal ocupando a altos cargos. Cabelos longos, saias, vestidos, cores vivas no vestuário e na maquiagem são vistos comumente como indicador de vulgaridade ou futilidade.

Assim, a suposta praticidade da vida masculina incorpora-se ao cotidiano feminino. Cabelos curtos não exigem tanto tempo ou dinheiro, bem como unhas longas despendem mais esmalte e horas no salão e usar saias é mais custoso que vestir calças, visto que é preciso estar em dia com a depilação das pernas e/ou usar meias-calças, que desfiam com facilidade.  Equivocadamente, muitos acreditam que a competência é algo inversamente proporcional ao comprimento do cabelo, das unhas e a cor do batom; uma vez que ter vaidade é facilmente confundido com não possuir conteúdo.

Contudo, que sentido há em conquistar espaço e não poder se mostrar como mulher e feminina? As vagas podem estar disponíveis, mas avanço algum representam se para isso a mulher tiver de deixar de lado o que é próprio do ser mulher. O machismo continua a existir, todavia muito mais velado que no passado. Trabalhar em meio a muitos homens não significa ter de aceitar o sexo feminino sob a condição de que elas sejam como eles. Igualar-se a eles para se manter no topo é reconhecer que eles são superiores. Portanto, a vitória sobre o preconceito apenas se concluirá no dia em que as mulheres imporem-se plenamente como tais aos homens.

(Thaís Gualberto)

No Dia Internacional da Mulher, lembre-se que todos os dias são nossos contatnto que sejamos sempre aquilo que de fato somos: mulheres!

Ame-se, lute por seus sonhos, seja feminina. Seja, simplesmente, uma mulher…

Excelente dia para todas nós!

Thaís

 

Sobre Thaís Gualberto

Economista & Escritora // Economist & Writer

Publicado em 8 de março de 2011, em Comportamento, To think About e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 14 Comentários.

  1. Ahhhh cara, eu ameeeei esse texto!!!! Parabéns pra todas nós!!! *——* E vamo que vamo!!! Mulher faz tudo que homem faz, só que melhor, mais rápido e de salto alto (no meu caso de sapatilha)!!!

  2. Lindooo esse texto, ameiii!!!!

    Parabéns para nós e todas as mulheres!!!!

    Beijos.

  3. Parabéns pra nós mulheres! Excelente texto, Thá! Concordo com vc que de nada adianta conquistar espaço e perder nossa feminilidade! Afinal, é graças às nossas diferenças que somos melhores que ELES!
    HUAHUAHUAHUAH…

    um bjão!

  4. Oii, feliz dia das mulheres!!!!
    VAmos continuar sendo competentes, ganhando espaço no mercado de trabalho e simplesmente femininas, afinal que é que disse que a mulher só pode ser uma coisa ou outra?

    Beijão
    http://www.sermulhereomaximo.com.br

  5. Oi, Thaís!
    Adorei o post e poderia falar sobre horas a respeito de como é injusta essa visão vaidade=futilidade, mercado de trabalho… mas vou deixar pra outra hora… acabei de chegar de viagem e só estou lendo e deixando um “Oi” pras meninas… Beijos!

  6. Parabéns por ser mulher! Parabéns pelo post!
    Sempre fui rodeado por mulheres e sempre procuro me aproximar delas e do seu universo colorido, gracioso e inspirador. A praticidade masculina é muito conveniente neste mundo acelerado, mas não requer muita espiritualidade.

    Beijos.

  7. Parabéns a todas vocês, vislumbres da natureza .-. presentes dos céus xD \o/ Amo todas as mulheres, em especiais, aquelas que se destacam em suas qualidades *_*

  8. Feliz Dia Internacional das Mulheres!! Parabéns a todas! Beijos, mari.

  9. Hm, vou te contar que aquele Johnny Depp alí no canto como Don Juan de Marco está bem lindo hein?

  10. Oi Thaís!!!!!!!!!!
    Mandou muito bem no dia internacional das mulheres.
    Parabéns para nós e por seu artigo tão bem escrito.
    Você, cada vez mais, inspira-me e sacode nós mulheres na vestimenta em ser cada vez mais feminina.
    Obrigada e beijos,
    Mili

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